De bestial a besta, o drama profissional

Posted by

Estou a poucos dias, de mudar o rumo da minha vida, e por consequência, da minha carreira. Ao longos dos últimos anos, tenho trabalhado com diversas pessoas, e muitos projectos. Desengane-se quem acha que, um programador, vive a arrecadar milhares.
Hoje, neste artigo de opinião, não falo sobre a mudança da minha vida, mas sobre como a opinião muda. E muda rapidamente.

Cliente exigente

Este ponto é bastante interessante. Ainda poucos dias, falei com uma pessoa que me disse: “O cliente quanto menos paga, mais exigente é”. Isto é um facto!
Não tenho uma explicação lógica, mas consigo confirmar esta ideia, pois já passei por ela. Quem nunca deu uma ajuda, usando as suas valências, para ajudar o seu amigo? Ou uma instituição que não tem fundos para investir, por exemplo, num cartaz, pequena aplicação, coisas mínimas. Normalmente é aqui, que começa o problema.

Aquele velho termo, “dar a mão e levar o braço”, aplica-se a 100%.
Quando o cliente não paga, é um patrocínio, uma ajuda, qualquer coisa, é quando se tornam mais exigentes, mais profesionistas. Torna-se uma demanda satisfazer clientes, com que eu chamo de “Projecto 0”.

O “Projecto 0”, não é nada mais, nada menos, que um projecto que gera 0 lucro. No entanto, irá sempre gerar ao cliente. Muitos podem pensar que ficamos a perder, seja uma empresa ou um freelancer. No entanto para quem participa no projecto, é sempre experiência que se adquire, e mais um projecto para juntar ao portefólio.

Tempo de qualidade em “Projectos 0”

Algo que não podemos deixar que aconteça, seja freelancing ou com empresas, é que os projectos 0 consumam o tempo de qualidade. Isto é, quando o teu tempo livro, pouco tempo livre, é consumido por este tipo de projectos, há que considerar coloca-los de parte.
Já tive projectos similares, com respostas como “despacha isso, não pagam para tanto”, o que é até certo ponto correto. Mas sendo eu como sou, dou 200% de mim em tudo o que faço, no entanto, quando se acumula muita coisa, então, vale considerar se vale a pena.

Ler mais  10 coisas que aprendi depois de me formar

Pouco lucro, muita preocupação

Cada pessoa interpreta de forma diferente. No entanto, na minha perspectiva, trabalhar para aquecer, é errado.
Temos de retirar sempre algo de um projecto, seja publicidade, experiência ou lucro. No caso da publicidade, é simples, trabalhas para adquirir publicidade ao teu serviço. Fazes um bom trabalho, a tua marca é exposta, e fim da história. Aqui, mesmo que o cliente seja exigente, a coisa pode ser bem gerida, pois acaba por existir um pagamento.
No caso da experiência, acaba por ser uma espada de dois gumes. Se neste caso, o cliente for exigente, e levar o trabalho para a tua área pessoal, o meu conselho é simples: termina-o o mais rápido possível, e encerra a ligação a esse cliente. Quando um projecto que não tem um lucro, seja monetário ou de publicidade, e começa a entrar na área do teu tempo pessoal, então é para reflectir sobre a sua continuidade.

É bom quando se ganha experiência, especialmente se o projecto for direccionado para algo que nunca trabalhamos. Mas isso não implica, que tenhamos de abdicar da nossa vida pessoal.

Já estive nesta situação, de ajuda, de não ter nada a ganhar a não ser experiência. A exigência passou a ser rotina, e fora de horas. Perder horas de sono era uma constante. A cada projecto que passava, a exigência era cada vez maior, mais coisas para ver, mais tempo despendido, e a experiência ganha, como óbvio, ia sendo menos, por era sempre mais do mesmo. Quando um dia, me sentei a mesa, e comecei a fazer contas, deparei-me com a dura realidade: Perdi tempo e dinheiro!

Ser bestial, e depois besta

Talvez sejam termos pesados, mas é o melhor que encontrei.
Este processo é muito simples, pois basta não seguir alguma directriz que o cliente quer. Vamos por as coisas desta forma. Imaginem que estão a criar uma marca, e que criam uma linha para identificar essa marca. No entanto, a cada pedido novo, o cliente decide mudar essa linha. Aquilo que trabalhamos para mostrar, para que a pessoa identifique a marca, já não é tão linear.
Por exemplo, a Coca-Cola, será sempre vermelho e branco. Agora imaginem, a cada novo pedido, a Coca-Cola decida mudar o tipo de letra, a cor, todos os traços que conhecemos, que nos basta olhar, e mesmo que distante, conseguimos identificar.
Neste processo, ser o pior do mundo, mesmo que tenhas feito o melhor trabalho de sempre, é fácil. Explicar ao cliente que não é aconselhável fazer algo assim, por todos os motivos, ele é simplesmente capaz de reduzir a tua reputação a pó, retirar o projecto e entregar a alguém que faça da maneira pretendida, mesmo que errada e sem qualidade.

Ler mais  Programador, ser ou não ser?

Conclusão

Quando agarras num projecto assim, sem lucro, há que deixar claro, que será inteiramente desenvolvido nas horas vagas, dependente de outros projectos ou consequências que a vida tenha. Hoje estamos bem, amanhã não. Se por algum motivo, não se tem tempo para dar continuidade ao projecto por motivos pessoais ou profissionais, o cliente “projecto 0”, tem de ter consciência que, todo o seu projecto, está a ser construído de forma gratuita, recorrendo ao tempo e disponibilidade de quem o desenvolve.
Caso essa situação, não seja bem esclarecida, então é boa ideia procurar clientes que o entendam. A experiência, essa sim, ficará, seja boa, ou má.

Comentários

comentarios